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Encontro do MAB lembrará um ano de impunidade do crime de Mariana

Encontro do MAB lembrará um ano de impunidade do crime de Mariana

Para que o crime ambiental de Mariana nunca seja esquecido, o Movimento dos Atingidos por Barragens realizará, de 31 de outubro a 5 de novembro, a atividade “1 Ano de Impunidade! Lutar e Organizar para o Direito Conquistar!”. A mobilização começará com a Marcha de Regência a Mariana, com saída no dia 31 de outubro de Regência, no Espírito Santo, e chegada no dia 2 de novembro a Mariana. De 3 a 5 de novembro, será realizado o Encontro do Movimento dos Atingidos por Barragens, em Mariana.

MAB denuncia impunidade no FSM 2016, no Canadá

O Fórum Social Mundial (FSM) é um espaço importante para construir a unidade dos Movimentos sociais a nível mundial – os que lutam por justiça social, econômica, cultural e política.

Ativistas do mundo inteiro estão em Montreal, no Canadá, desde o dia 9 de agosto, para participar da 12ª edição do Fórum Social Mundial (FSM). O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) está participando da atividade na busca de construir convergências entre as organizações para superar a crise social em que nos encontramos no capitalismo, sob o lema do evento: “Outro mundo é necessário, juntos é possível”.

Ao longo dessa semana o MAB está participando de mesas de convergência com o objetivo de denunciar o crime socioambiental que ocorreu em Mariana (MG), do rompimento da barragem de rejeitos da Samarco (Vale/BHP Billiton) e a violação dos direitos humanos dos atingidos por barragens no Brasil.

Foi organizada no local do fórum, uma exposição fotográfica com 41 fotos de fotógrafos parceiros do movimento que estiveram registrando ao longo da Bacia do rio Doce, a luta e organização das famílias atingidas pela lama da Samarco. O objetivo da exposição é fazer a denuncia internacional da impunidade do crime de Mariana a partir das imagens. 

De acordo com Yara Naí militante do MAB, o Fórum Social Mundial é um canal de dialogo e troca de experiências entre os atingidos. “Participamos da mesa de convergência com atingidos pelo rompimento da barragem de Mount Polley, no norte do Canadá, criando diálogos sobre a atuação das empresas mineradoras canadenses em outros países, como a Belo Sun, na Amazônia Brasileira, e também da transnacional brasileira Vale do Rio Doce, com atuação no Canadá”.

Na tarde da última sexta-feira (12), o MAB participou do espaço de diálogo sobre soberania popular, promovido pela Campanha internacional “Stop Corporate Impunity”, apresentando a categoria jurídica de Direitos dos Afetados, como uma proposta popular para enfrentar a arquitetura de impunidade das transnacionais.

Ainda está previsto para acontecer durante os fins de tarde do evento, espaços de convergência sobre a democracia brasileira, que visa congregar brasileiros presentes com estrangeiros na construção de uma agenda de enfrentamento ao golpe.

Mesmo com o público reduzido a expectativa do MAB com construção de agendas contra hegemônicas é grande. “Nesta edição do Fórum Social Mundial o número de participantes é menor que a expectativa devido aos mais de 200 vistos negados pelo governo canadense, inclusive de membros do MAB, mas mesmo assim os debates e nossa participação estão tendo um acumulo politico.” Diz a militante.

Atingidos pela Samarco no Vale do Aço sofrem com descaso da empresa

Após nove meses do crime em Mariana, cidades atingidas pela Samarco no Vale do Aço mineiro estão sofrendo com a contaminação do Rio Doce. Em algumas cidades a população está consumindo a água com metais pesados. As denúncias não cessam. São várias as doenças de pele que surgem nas pessoas em contato com a água e animais que estão morrendo por estarem consumindo o recurso hídrico.

Atingidos do distrito de Cachoeira Escura, na cidade de Belo Oriente (MG), continuam dragando a água do Rio Doce para retirar areia, sem nenhuma instrução da empresa ou equipamentos de proteção. Como se não bastasse, pedreiros de cidades vizinhas, que usam dessa areia para trabalho, apresentam manchas e feridas na pele.

Na cidade de Naque (MG), muitos pescadores não foram sequer reconhecidos como atingidos pela Samarco. A empresa proibiu a pesca no rio Santo Antônio, afluente do Rio Doce, e não apresentou medidas paliativas para os atingidos. A proibição seria para a recuperação do rio contaminado com a lama tóxica.

Na zona rural de Naque, animais morreram ou ficaram doentes depois de beberem a água do rio. Antes do Rio Doce ficar impróprio para consumo, criações de porcos, gado e galinhas se alimentavam soltos. Hoje, ficam presos e o gasto com compra de ração aumentou. Os pequenos produtores andam quilômetros para buscar água em um brejo para dar aos animais.

“Não estão nos deixando pescar, não nos dão o cartão com o salário. Nossos animais já estão passando fome, daqui uns dias somos nós”, disse Murilo Silva, atingido que até hoje não recebeu nenhuma “visita” da Samarco.

Atingido perdeu posto de trabalho

Em São Lourenço, distrito de Bugre (MG), a maioria das famílias é ribeirinhas, quase todos pescavam e/ou plantavam, seja para comercialização, seja para consumo próprio. Muitos perderam animais que ingeriram água do rio ou se alimentaram dos peixes mortos, que na época do rompimento da barragem, se amontoavam na beira do rio. Outro problema apresentado pelos moradores é que a água que eles consomem é retirada de um poço muito próximo ao rio e não recebe nenhum tipo de tratamento. Eles temem que ele também possa ter sido contaminado.

A Samarco, porém, não reconhece os moradores de São Lourenço como atingidos, menos de dez pessoas da localidade recebem a verba de manutenção. Em reunião realizada pela empresa a mesma se recusou até em fazer a análise da água do poço e ainda faltou com o respeito com os presentes.

Os moradores de São Lourenço também utilizavam o rio como lazer, alternativa de água quando faltava e também para transporte. É que o distrito se encontra muito próximo à Cachoeira Escura, basta atravessar o rio de balsa. Inclusive, a maioria das pessoas estuda e trabalha do outro lado do rio. Porém, com a chegada da lama, a balsa ficou dias parada, causando prejuízo para muitos trabalhadores e estudantes. No dia 11 de agosto a balsa parou novamente: encalhou devido o baixíssimo nível de água no rio Doce.

Estas denúncias foram feitas durante o Mutirão de Trabalho de Base que o Movimento dos Atingidos por Barragens realiza em toda a extensão da bacia do Rio Doce. “Eu vim do Paraná ver com meus próprios olhos o resultado do crime da Samarco, pois a mídia não mostra. O que aparece é o problema resolvido. Fiquei surpreendido com a real situação. Estas cidades estão a quilômetros da barragem. São muitas pessoas  sofrendo as consequências da negligência da empresa”, afirma Marcelo militante do Movimento dos Atingidos por Barragens do Paraná.

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